A Organização Mundial da Saúde (OMS) expressou sérias preocupações em relação à rápida propagação de um surto de Ebola na República Democrática do Congo. A situação se tornou tão alarmante que o site oficial da Organização das Nações Unidas (ONU) descreveu a transmissão do vírus como “fora de controle”.
Um dos fatores mais preocupantes é que muitas vítimas estão morrendo em suas residências, sem qualquer acompanhamento médico ou inclusão nas estatísticas oficiais. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, alertou que a atual taxa de contágio pode se tornar ainda mais severa do que a devastadora epidemia que afetou a África Ocidental entre 2014 e 2016.
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Até o momento, foram registrados 4.449 pessoas infectadas e 2.061 mortes, abrangendo mais de 50 zonas de saúde. A província de Ituri se destaca como o epicentro dessa crise, onde cerca de 80% dos casos fatais estão concentrados. Entretanto, a grande preocupação das autoridades sanitárias não reside apenas nos números apresentados pelos hospitais, mas também nas mortes que ocorrem fora do registro oficial.
O fato de muitos indivíduos falecerem em suas comunidades sem serem identificados como contatos potencialmente arriscados revela a existência de cadeias de transmissão ativas desconhecidas pelas autoridades governamentais.
Contágio durante o luto
Rituais funerários e cuidados familiares têm sido fatores significativos na propagação da doença. A OMS constatou que uma grande parte dos novos casos acontece dentro das residências, quando familiares prestam assistência aos doentes ou durante cerimônias fúnebres. Assim, assegurar sepultamentos dignos e seguros é fundamental para conter a epidemia.
Para que essa abordagem seja eficaz, é vital obter a cooperação das comunidades locais. O objetivo das equipes envolvidas é aumentar o monitoramento dos contatos para até 95%, reduzindo significativamente o número de pessoas infectadas que adoecem sem qualquer intervenção médica.
