Queratose: Entenda a condição que Lula enfrentará em seu tratamento médico

Na manhã desta sexta-feira (24/4), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou um procedimento médico em São Paulo para tratar uma alteração na pele do couro cabeludo. O diagnóstico foi de queratose, uma condição que se caracteriza pelo espessamento da camada mais externa da pele. Para explicar melhor essa condição, suas variações e situações que requerem atenção especial, a portal LeoDias entrevistou a dermatologista Dra. Marcela Mendes, que apresentou os principais aspectos dessa doença.

A doutora esclarece que queratose é um termo abrangente utilizado para designar lesões resultantes do acúmulo de queratina na pele. “Esse termo se refere a lesões cutâneas causadas pelo crescimento excessivo de queratina, que resulta em áreas ásperas, escamosas ou elevadas. No couro cabeludo, as duas formas mais frequentes são a queratose actínica e a queratose seborreica”, explica.

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QueratoseFoto: Divulgação
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Mancha na cabeça de Lula em evento chamou atençãoFoto: Brenno Carvalho/O Globo

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Dra. Marcela Mendes diferencia as duas variações da queratose. “A queratose actínica é considerada uma lesão pré-maligna, associada à exposição crônica ao sol. Normalmente aparece como pequenas placas ásperas, com colorações que podem variar entre rosa, vermelho ou marrom, geralmente com menos de 1 cm e é mais comum em regiões expostas como o couro cabeludo, especialmente em indivíduos com calvície ou cabelo ralo.”

Por outro lado, a outra variante não representa risco de câncer. “A queratose seborreica é uma lesão benigna muito comum após os 30 anos e apresenta uma aparência típica de estar ‘colada’ à pele. Ela tem bordas bem definidas e pode variar desde a cor da pele até tons mais escuros, possuindo uma superfície cerosa ou verrucosa.”

Pode evoluir para câncer de pele?

A dermatologista ressalta que o nível de gravidade varia conforme o tipo da lesão. “Isso depende do tipo de queratose. A queratose seborreica é totalmente benigna e não evolui para câncer de pele, enquanto a queratose actínica requer atenção redobrada devido ao seu potencial pré-maligno, podendo evoluir para carcinoma espinocelular.”

Apesar disso, ela observa que o risco individual costuma ser baixo. “Embora o risco de transformação em uma lesão isolada seja baixo, o foco deve estar nas múltiplas lesões; indivíduos com várias queratoses actínicas frequentemente apresentam um dano solar acumulado significativo que aumenta o risco global de câncer de pele ao longo da vida.”

O aumento da incidência entre pessoas idosas também pode ser explicado. “O principal fator é o efeito cumulativo da exposição ao sol ao longo dos anos; a radiação ultravioleta causa danos progressivos nas células cutâneas que se acumulam com o tempo.”

Ela também menciona outro aspecto relevante: “Além disso, o envelhecimento está associado à diminuição da capacidade do sistema imunológico em detectar e eliminar células anormais, somando-se ao acúmulo de mutações provocadas pelo sol que favorecem o surgimento dessas lesões ao longo das décadas.”

Fatores de risco

A exposição ao sol é identificada como o principal fator de risco para a condição. “Para a queratose actínica, a exposição contínua à radiação ultravioleta é crucial; esse tipo de radiação provoca alterações no DNA das células cutâneas resultando em danos acumulativos ao longo do tempo.”

Características pessoais também desempenham um papel importante nesse contexto. “Certos traços aumentam ainda mais esse risco, incluindo pele clara, olhos claros, cabelos loiros ou ruivos, histórico de queimaduras solares frequentes e maior exposição ao sol.”

Por outro lado, no caso da forma benigna, suas origens são diferentes. “A queratose seborreica está mais vinculada ao envelhecimento e à predisposição genética; sua relação com a radiação solar não é tão direta.”

A médica adverte que distinguir visualmente essas formas nem sempre é simples. “Algumas características auxiliam na identificação; por exemplo, a queratose actínica tende a ser mais sentida do que vista devido à sua textura áspera semelhante à lixa na pele; enquanto a queratose seborreica é frequentemente visível como uma placa elevada com bordas bem definidas.”

Sinais de alerta

Entretanto, existem sinais que exigem avaliação médica imediata. “Apesar das diferenças visuais entre os tipos, pode ser difícil fazer essa distinção apenas pela observação; por isso sinais como crescimento acelerado das lesões, alteração na coloração ou espessura delas, sangramentos ou feridas persistentes devem servir como alerta.”

Ela enfatiza a importância da consulta médica. “É fundamental buscar avaliação profissional com um dermatologista; no consultório pode ser feito um exame chamado dermatoscopia que permite uma análise aprofundada das lesões ajudando na diferenciação entre alterações benignas e suspeitas aumentando assim precisão no diagnóstico.”

Tratamento

Em relação ao tratamento, Dra. Marcela afirma que normalmente os procedimentos são simples e realizados ambulatorialmente. “Sim, geralmente sim; o tratamento tende a ser simples variando conforme o tipo das lesões e sua extensão.”

Entre as alternativas estão tratamentos tópicos além de procedimentos cirúrgicos como crioterapia e uso de laser. “Uma abordagem comum é a remoção cirúrgica das lesões acompanhada por eletrocoagulação especialmente quando há necessidade de retirada completa para análise laboratorial; esses procedimentos são feitos sob anestesia local e têm recuperação rápida.”

Após remoção das lesões pode haver necessidade de análise laboratorial adicional. “Na prática dermatológica é frequentemente recomendado enviar as lesões removidas para estudo anatomopatológico especialmente nos casos onde houve exérese cirúrgica.”

Por fim, a recorrência pode ocorrer especialmente nos casos relacionados à exposição solar. “Sim, principalmente no caso da queratose actínica onde novas lesões podem surgir com frequência ao longo do tempo principalmente em áreas expostas ao sol.”

Prevenção

Para finalizar, Dra. Marcela destaca que a prevenção deve ser prioridade primordial nessa questão. “Sim! Essa parte é fundamental; prevenir está intimamente ligado à proteção contra os raios solares.” O uso diário de protetor solar com reaplicações regulares durante todo dia é essencial mesmo sobre o couro cabeludo especialmente para aqueles com cabelo fino ou áreas calvas.”. “Além disso,” “usar chapéus ou bonés,” “buscar sombra e evitar exposição nos horários críticos também ajudam na redução do risco.” “Evitar bronzeamento artificial também é crucial,” conclui..

By Noticias de Fortaleza

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