Na última sexta-feira (4/9), Abel Ferreira recebeu uma suspensão de duas partidas imposta pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). A punição decorre de um incidente ocorrido durante o empate entre Palmeiras e Mirassol, na 25ª rodada do Campeonato Brasileiro, quando o técnico chutou um microfone à beira do campo. Dessa forma, ele não poderá dirigir a equipe nos próximos jogos contra Botafogo e São Paulo, agendados para os dias 6 e 12 de setembro.
Exibição do áudio do VAR no julgamento
Durante a audiência, foi apresentado um vídeo interno do VAR que incluía o áudio das comunicações da arbitragem. O conteúdo revelou que o incidente foi informado ao árbitro João Vitor Gobi ainda durante a partida.
Um dos profissionais da arbitragem comentou: “O Abel precisa receber amarelo aqui – disse um integrante não identificado na gravação.” Posteriormente, outro membro relatou: “Roger está falando. Abel chutou o microfone para dentro do campo com a bola em jogo – em referência ao quarto árbitro Roger Goulart.” A informação foi reiterada: “Abel chutou com a bola em jogo – afirmou novamente um membro não identificado.” Ao final do trecho, uma voz assumiu a responsabilidade pela decisão: “Eu assumi a responsabilidade. Eu assumi a responsabilidade – reiterou outra pessoa, também sem identificação.
Tentativa de amenizar a punição
O advogado do Palmeiras, Osvaldo Sestário, solicitou o arquivamento da denúncia. Caso os auditores decidissem pela punição, ele pediu que Abel fosse suspenso por apenas um jogo e penalizado com uma multa: “Observamos que houve comunicação entre eles e o árbitro assumiu para si a responsabilidade pelo lance, entendendo que não deveria haver punição.”
Sestário também comentou sobre o comportamento de Abel e seu histórico disciplinar: “Abel é uma pessoa intensa. Ele é muito gentil, mas intenso em campo. Nunca teve qualquer condenação relacionada ao respeito ao árbitro ou qualquer ato que pudesse ser enquadrado no artigo 243-F.”
Reincidência influenciou na decisão final
A votação começou com George Suetônio Gonet Branco defendendo a absolvição de Abel. Já José Maria Philomeno optou por uma suspensão de apenas uma partida.
Pedro Gonet Branco pediu vistas do processo e retornou à sessão às 12h59. Em sua análise, defendeu que a reincidência de Abel justificava uma pena mais severa, aumentando a suspensão para duas partidas. Rodrigo Buzzi concordou com essa linha de pensamento.
Gonet mencionou ainda um ofício enviado pela comissão de arbitragem ao STJD sobre a impossibilidade de revisão do lance pelo VAR: “Sobre o item 8 da CBF, como se trata de um incidente que não afetou o andamento do jogo e não teve relação direta com atleta, o VAR não poderia ter recomendado revisão do lance ao árbitro.”
Em seguida, justificou sua interpretação disciplinar: “Embora se entenda que a arbitragem tenha visto e decidido não aplicar sanção, acredito que não seria possível afastar completamente as implicações do Artigo 258. Portanto, reconheço a aplicação desse artigo.”
O artigo 258 aborda condutas que vão contra a disciplina ou ética esportiva e que não são cobertas por outros dispositivos no Código Brasileiro de Justiça Desportiva.
Árbitros foram inocentados
Além da situação envolvendo Abel Ferreira, o julgamento também se concentrou nas denúncias contra os árbitros João Vitor Gobi, Roger Goulart e Ilbert Estevam da Silva por suposta omissão na aplicação da punição ao treinador.
A defesa dos árbitros argumentou que eles não presenciaram diretamente o chute. Os auditores consideraram as acusações baseadas em suposições e as classificaram como ineptas, absolvendo assim os três profissionais.
Gobi relatou durante o julgamento que estava voltado para outra direção no momento em questão: “Estávamos nos minutos finais da partida, envolvidos na comunicação com toda a equipe; eu estava virado para longe do banco. A prioridade era aquele momento específico e os protocolos finais da partida.” Ele também explicou sobre as circunstâncias da jogada: “Era uma situação favorável ao time do Mirassol e eu precisava focar nas possíveis infrações naquele instante.”
