A introdução de pausas para hidratação nos jogos da Copa do Mundo 2026, promovida pela FIFA, tem gerado discussões acaloradas entre os torcedores. Embora alguns vejam essas interrupções como um fator que quebra o ritmo das partidas, especialistas consultados ressaltam a relevância dessa ação para a saúde e o desempenho dos jogadores.
Entretanto, nesta edição do torneio, a decisão de fazer paradas em todos os jogos não se limita ao bem-estar dos atletas. Informações indicam que a FIFA incorporou uma pausa de três minutos em cada tempo visando também aspectos comerciais, especialmente relacionados às transmissões televisivas. Essa estratégia foi pensada para aumentar as oportunidades de publicidade para as emissoras que cobrem os jogos.
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A regulamentação no futebol já permite que árbitros autorizem pausas para hidratação em condições climáticas adversas, especialmente quando as temperaturas ultrapassam os 30°C. Porém, nesta Copa do Mundo de Clubes, essas interrupções estão sendo aplicadas em todas as partidas, independentemente da temperatura, e têm duração superior ao usual, com três minutos reservados em cada tempo.
Embora essa abordagem também tenha uma motivação comercial, especialistas afirmam que essas pausas trazem benefícios fisiológicos significativos aos jogadores e podem ajudar na manutenção do desempenho durante os jogos.
O nutricionista esportivo Lucas Neuburg destaca que a evolução física no futebol exige um planejamento cuidadoso sobre a reposição de líquidos e nutrientes ao longo das partidas.
“Os atletas podem perder entre dois e três quilos por meio da transpiração durante uma partida. Em certas situações, essa perda pode ser ainda maior. Isso envolve não apenas água, mas também minerais essenciais que são cruciais para o funcionamento muscular e neurológico”, explica Neuburg.
A desidratação pode afetar diversas funções corporais, diminuindo a capacidade física e aumentando a fadiga, além de comprometer processos cognitivos vitais para decisões em campo.
“Em um esporte tão intenso como o futebol, onde um segundo pode mudar o resultado da partida, até mesmo pequenas quedas de rendimento são significativas. As pausas permitem não só a reidratação, mas também estratégias de reposição de eletrólitos e carboidratos”, acrescenta.
A necessidade de hidratação vai muito além dos dias quentes. O próprio esforço físico é suficiente para elevar significativamente a temperatura corporal e provocar perdas consideráveis de líquidos mesmo em clima ameno.
Muitos atletas têm o hábito curioso de enxaguar a boca com bebidas esportivas antes de cuspir o líquido. Essa prática possui respaldo científico.
“A técnica chamada ‘mouth rinse’ consiste em enxaguar a boca com uma solução rica em carboidratos. Pesquisas indicam que receptores na boca enviam sinais ao cérebro sobre a disponibilidade energética, resultando em benefícios perceptivos e melhora no desempenho mesmo sem ingerir completamente a bebida”, expõe o nutricionista.
No entendimento do endocrinologista Dr. Reinaldo Martins, as pausas para hidratação são fundamentais não apenas para o desempenho atlético, mas também para salvaguardar a saúde dos jogadores.
A carga física imposta pelo futebol moderno é crescente e ambientes quentes e úmidos podem resultar em perdas significativas de líquidos que afetam diretamente as funções corporais. Além disso, desidratação eleva os riscos relacionados à exaustão pelo calor e outras complicações provenientes do esforço físico prolongado.
Dessa forma, as interrupções ajudam os atletas a manter condições físicas e cognitivas adequadas durante toda a partida, melhorando concentração e tomada de decisões — elementos que impactam diretamente na qualidade técnica dos jogos.
“É uma medida simples fundamentada na ciência que protege a saúde sem interferir na essência do futebol”, conclui Reinaldo Martins.
