A dupla Flamengo e Fluminense foi acusada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) por, supostamente, promover superlotação em jogos no Maracanã. Em ao menos 15 jogos (11 do Flamengo e cinco do Fluminense – um dos jogos os dois clubes estão envolvidos é a final do Cariocão 2026), os clubes teriam vendido mais ingressos do que a capacidade permitida pelas autoridades a operar no estádio.
Segundo informações publicadas pelo Jornal O Globo, documentos referentes as partidas investigadas apontam que uma quantidade de ingressos acima a capacidade de determinados setores foram comercializados. Os dois setores onde há a suspeita de haver superlotação são as cadeiras do setor oeste superior, onde ficam as cadeiras cativas, e o setor norte.
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2,
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Veja as fotos
Além do risco causado a segurança dos torcedores, o MP também investiga a omissão da quantidade real de torcedores registrados no borderôs dos jogos, o que implicaria em uma movimentação financeira de quase R$ 1 milhão a mais que não estaria em registros oficiais.
Além de questões financeiras, o MP apura se as planilhas de presença de público apresentadas a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ) trabalhem com uma expectativa de público abaixo da real presença, o que implicaria diretamente em uma menor quantidade de contigenciamento policial para o estádio nas partidas averiguadas.
O documento passou pela mão de dois órgãos do MP-RJ: o Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor (GAEDEST/MPRJ), que elaborou o inquério, e posteriormente enviado a Promotoria de Justiça de Urbanismo, responsável por aprofundar as denúncias.
A Fla-Flu Serviços S.A., empresa responsável pela gestão do Maracanã. Flamengo e Fluminense, a FERJ e as empresas envolvidas na venda e na operação dos ingressos, FutebolCard e Cognitive Ruptix Solution, foram notificadas pelo MP-RJ. Até o momento, as partes não se manifestaram ao órgão.
Em nota oficial, o Fluminense afirmou que “não vende ingressos acima do limite de capacidade do Maracanã”. Já o Flamengo informou que só se pronunciará através do processo. As partes terão um prazo de 15 dias para apresentar justificativas ao Ministério Público.
Quais jogos são investigados
Apesar de compartilharem a administração do estádio, a dupla Flamengo e Fluminense são apontados por características diferentes nas investigações.
Os jogos do rubro-negro tem como foco irregularidades na venda de ingressos do setor norte causando a superlotação. Segundo o MP, em determinadas partidas, o setor teria ficado acima do seu limite de capacidade. O clube está autorizado a vender 21.300 ingressos para o setor, mas em ao menos metade jogos a presença de público teria sido de 23.400 torcedores, 2.100 acima da capacidade permitida.
Jogos do Flamengo investigados:
- Flamengo x Ceará, em 3 de dezembro de 2025 (partida que deu o título do Brasileiro ao clube);
- Flamengo x Fluminense, em 8 de março de 2026 (final do Cariocão – envolveu os dois times);
- Flamengo x Medellín, em 16 de abril de 2026;
- Flamengo x Bahia, em 19 de abril de 2026;
- Flamengo x Vitória, em 22 de abril de 2026;
- Flamengo x Vasco, em 3 de maio de 2026;
- Flamengo x Estudiantes, em 20 de maio de 2026;
- Flamengo x Palmeiras, em 23 de maio de 2026;
- Flamengo x Coritiba, em 30 de maio de 2026;
- Flamengo x São Paulo, em 26 de julho de 2026;
- Flamengo x Vitória, em 9 de agosto de 2026.
Já no caso do Fluminense, nenhum jogo dentre os investigados é apontada a presença de público acima da capacidade do estádio, mas o clube teria vendido mais ingressos do que deveria, o que implicaria um descumprimento a regras estabelecidas. Os dois clubes também são acusados de disponibilizar ao menos 1 mil ingressos a mais no setor de cadeiras cativas, que tem capacidade para 5.019 torcedores.
Jogos do Fluminense investigados:
- Fluminense x Flamengo, em 8 de março de 2026, (final do Cariocão – envolveu os dois times);
- Fluminense x Bolívar, em 19 de maio de 2026;
- Fluminense x Deportivo La Guaira, em 27 de maio de 2026;
- Fluminense x Vasco, em 5 de agosto de 2026;
- Fluminense x Rivadavia, em 11 de agosto de 2026.
Possíveis consequências
O caso ainda está na fase de coleta de documentos, mas caso os clubes venham a ser condenados pelas práticas irregulares, a dupla Fla-Flu pode ser condenada com base na Lei Geral do Esporte em seu artigo 147, que trata sobre irregularidades na venda de ingressos. A pena mais grave pode gerar a perda de seis meses de mando na cidade natal do clube.
No entanto, segundo o Jornal O Globo, a tendência é que o Ministério Público convoque os dois clubes para assinar um Termo de Ajustamento de Conduta, em que a dupla Fla-Flu se comprometeria a respeitar as normas, evitando assim punições maiores.












